Epílogo
Epílogo
Deborah, sorriu ao ler a carta do Armando. Os
papéis do divórcio assinados, acompanhavam um pedido de desculpa.
“Não sei se algum dia me irás perdoar, mas quero
que saibas que eu hoje entendo pelo que te fiz passar. E, por isso, peço-te
perdão. Quero que saibas que serás sempre a minha rainha e que quero que sejas muito
feliz. Um dia, quem sabe, iremos os dois rir da nossa história. Até sempre,
Armando.”
- Que sejas feliz, Armando. – Respondeu ao olhar
para as estrelas. – Eu sinto muito. Perdoa-me. Eu amo-te. Obrigada. – Repetiu a
oração do Ho’oponopono e enviou para o universo a paz que Armando precisava.
Sentou-se à mesa, cuidadosamente colocada por
Pablo, e observou as estrelas. Adorava aquele cantinho do seu apartamento em Lançarote,
e sempre que podia refugiava-se para descansar ou simplesmente contemplar. Aquele
momento fez-lhe lembrar o primeiro jantar que Pablo preparou para ela, e o
cuidado que ele sempre teve em mima-la, mais do que ela alguma vez se havia
mimado a si, pelo menos naquela altura.
Pablo, trouxe a travessa de lasanha vegetariana, a
ainda deitar fumo e com um cheiro inebriante, e colocou no centro da mesa.
- Então, o que me dizes?
- És realmente um cozinheiro de mão cheia. – Entusiasmada,
pegou nos talheres.
- És tu que me inspiras. Deixa-me servir-te, que já
vi que estás prontíssima para atacar.
- Ando a sonhar com a tua comida há anos, deixa-me
aproveitar este momento.
- Há anos que sonhas com a minha comida? Isso é um privilégio,
saber que sou um chefe inesquecível.
- Há sabores que não se esquecem. – Corou, ao
lembrar-se dos beijos de Pablo.
- Então, vamos. Come… Não vamos deixar a comida
esfriar muito, depois dizes que o chefe é que não presta.
Deborah, comeu com prazer a lasanha, e degustou a pera
caramelizada com uma bola de gelado de baunilha, que Pablo preparou como sobremesa.
- Se eu continuo assim vou engordar.
- Não vais nada, nem todos os dias são dias.
- É verdade. Mas, este mimo sabe bem demais. Para
mim devia ser todos os dias…
- Todos os dias? Queres escravizar-me, é isso?
- Nada disso. Quero apenas aproveitar todos os dias
da melhor forma, viver um dia de cada vez, e estar aqui contigo faz parte do meu
dia ideal.
Pablo, aproximou-se e beijou-a levemente. Ajudou-a
a levantar-se e encostou-a contra si.
- Sabes que tu também fazes parte do meu dia ideal.
– respondeu com a voz rouca.
- Pablo… - Deborah, sussurrou. – Faz amor comigo.
- Deborah… – Pablo, beijou-a docemente. – Tens a
certeza daquilo que me estás a pedir?
- Há muito tempo que eu tenho essa certeza. Desde o
dia em que disseste que por me amares tinhas de deixar-me ir. Eu percebi,
Pablo. E, tenho vivido a minha vida desde esse dia. Tenho seguido o meu caminho,
mas…
- Ambos tínhamos uma viagem a percorrer, Deborah.
Tu precisas de encontrar o teu caminho, e eu precisava de reencontrar o Pablo
que eu era antes de te conhecer. Por vezes o amor confunde, unimo-nos tanto à outra
pessoa que corremos o risco de esquecer quem somos. E, não te queria atrapalhar.
Era uma viagem que tinhas de fazer sozinha.
- Eu sei, mas… Eu percebi… Eu compreendo, mas
chega. Chega de sofrer por não te ter ao meu lado, chega de imaginar como seria
ser tua vezes e vezes seguidas. Quero unir-me a ti. A minha alma já se uniu a ti
há muito tempo…
- Eu amo-te, Deborah. Se eu faço contigo o que eu
quero fazer, eu não te vou conseguir largar. Não vou querer largar. Não me vai
apetecer largar-te.
- Eu não quero que me largues, enquanto fizer
sentido para nós unirmo-nos um ao outro, eu não quero que me largues. Só quero
que me ames, Pablo.
- Eu amo-te… Como eu te amo…
Pablo, beijou Deborah apaixonadamente, debaixo do
céu estrelado e abençoados pela lua.
Saboreou os seus lábios, o pescoço… Provou o gosto
da sua pele… Sentiu os mamilos rijos e atreveu-se a prová-los. Deborah,
respondia a cada movimento, a cada beijo com um gemido de prazer. Entregou-se
completamente a Pablo.
Pablo, levantou Deborah, e colocou-a no colo.
Levou-a até ao quarto, enquanto a beijava e dizia que a amava. Deitou-a cuidadosamente
na cama, e beijou-a novamente. Despiu-lhe o vestido e beijou todas as partes do
seu corpo. Deborah, percorreu as costas de Pablo, com as mãos, sentiu o seu peito,
beijou-lhe o peito. Perdeu-se no corpo daquele homem que parecia ter saído de
um filme. Pablo, olhou-a nos olhos perdido de desejo.
- Eu amo-te, Deborah. Eu amo-te…
- E, eu a ti… Pablo…
Uniram-se os corpos, uniram-se as almas e uniram-se
os espíritos… Perderam-se os dois num orgasmo que os levou às profundidades um
do outro. Abraçaram-se exaustos, e Deborah deitou-se sobre o peito de Pablo.
- É sempre assim? – Perguntou envergonhada. – É
sempre assim tão bom?
- Deborah… Nem tenho palavras…
- Só há uma forma de saber se é sempre assim tão
bom. Sabes como?
- Diz-me. – Pablo, sorriu sabendo onde ela queria
chegar.
- Repetindo outra vez, só para ter a certeza!!! –
Deborah, beijou-o e desta vez, tomou ela a iniciativa.
- Vais matar-me, Deborah. Assim vais matar-me.
- E, existe algo melhor do que morrer de amor?
- Não acredito que exista melhor forma de morrer. –
Pablo, beijou-a, virou-a por forma a assumir e controlo e, uma vez mais fez
amor com ela.
Deborah, acordou nos braços de Pablo e ficou vários
minutos a contemplá-lo enquanto ele dormia descansadamente. Refletiu sobre a
viagem de ambos até aquele momento. É incrível como as pessoas, por vezes, têm
tudo para ser felizes e não o conseguem reconhecer. Percebeu a ligação que teve
com Pablo desde o primeiro dia em que o viu. Fugiu durante anos à energia que o
atraia até ele. Mas, hoje entendia perfeitamente. Não podia ter reconhecido o
que sentia por Pablo enquanto não soubesse o que é o amor. Precisava de se ter
encontrado, aprendido a amar-se e decidido viver a sua vida para poder
compreender o que sentia por Pablo e o papel que ele tinha na sua vida.
O verdadeiro amor pelos outros só se reconhece
quando nos amamos a nós mesmos. Beijou-o repetidamente… Pablo, despertou e respondeu
com mais beijos.
- Tu queres mesmo matar-me… Bom dia…
- Bom dia… Não te quero matar, quero é morrer de
amor…
- Eu amo-te…
- E, eu a ti. – Assumiu o controlo e fizeram amor,
uma vez mais.
Estafados, Pablo, levantou-se e sorriu para ela.
- Vou fugir de ti. Vais esgotar-me as forças.
- Não vais conseguir.
- Deixa-me ir preparar algo para repor energias. Ainda
quero viver muitos anos, prefiro quase morrer de amor todos os dias do que
morrer mesmo.
- Precisas de ajuda na cozinha?
- Nah… Só quero que fiques aí, assim linda e
maravilhosa.
- O teu desejo é uma ordem. – Escondeu-se por baixo
do lençol.
Pablo, afastou-se e dirigiu-se à cozinha.
- Pablo! – Deborah, gritou para que ele a ouvisse.
- Sim.
- Eu amo-te!
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