Capítulo 17 - Nova Crença
Capítulo 17 – Nova Crença
- Deborah, o que vais continuar a perder se
continuares a acreditar nisso... – perguntou a coach.
- A oportunidade de viver. A vida. Vou perder a minha
vida. – respondeu aos soluços.
- E, como é que isso te faz sentir?
- Faz-me sentir impotente. Inexistente. Vazia…
Perdida. Sem uso…
- E, é isso que tu queres, que tu realmente queres?
- Não! Eu preciso viver. Por amor de Deus, eu preciso
viver! – desabafou libertando um sufoco.
- Ok. Compreendo. Então, se tivéssemos a lâmpada do
Aladino e podessemos pedir apenas um desejo, apenas um. E ele, concedesse a
capacidade de acreditares verdadeiramente em algo o que seria? O que precisas
de acreditar?
- Que eu sou merecedora de amor. Que eu sou
suficiente tal como sou. Preciso de acreditar nisso.
- Então, diz-me tu, o que ganharias no futuro com
esta nova crença? Acreditares que és merecedora de amor, que és suficiente tal
como és. Diz-me…
- Vida! Ganharia vida. – respondeu com esperança
nos olhos.
- Faz-me uma coisa, Deborah. Fecha os olhos.
Respira profundamente. Isso. Conecta-te com a tua respiração. Agora, imagina-te
daqui a 5 anos com essa crença bem enraizada dentro de ti. 5 anos a acreditares
que és suficiente tal como és, que és merecedora de amor… 5 anos, daqui para
frente… Isso mesmo… Mantém-te aí nesse futuro. Diz-me como está a tua vida.
- Paz. – Deborah, sorriu. – Paz. Estou feliz. A
sorrir de verdade. Em paz.
- Mantém-te com os olhos fechados. Mantém-te aí. O
que mais ganharias para além de paz.
- Segurança. Liberdade. Vida!
- E, quão importante isso é para ti, Deborah? De 0
a 10, quão importante isso é para ti.
- 1000! É uma sensação…
- Ótimo. E, olhando para essa vida, o que perdeste
por acreditares que és suficiente tal como sou, que és merecedora de amor…
- O que perdi? Não perdi nada. Só ganhei vida.
- Ok. Só ganhaste vida. Vou pedir-te que respires
fundo e abras novamente os olhos.
- Sabe tão bem aqui estar…
- Então abre os olhos e vem ao presente criar essa
vida. Viver. – Deborah, abriu os olhos e a coach continuou – Diz-me, Deborah, ganharias
alguma coisa no futuro se continuares a acreditar que não mereces amor? Que não
és suficiente? Que precisas de ser perfeita para que as pessoas fiquem na tua
vida?
- Não! Não ganharia nada. Nada. Só perderia a
possibilidade de viver. Nem quero pensar mais nisso. – Deborah, exaltou-se
ligeiramente.
- Então, vou voltar a perguntar. O que perderias no
futuro por acreditares que és suficiente tal como és e que és merecedora.
- Nada! Não perdia nada, só ganhava vida.
- Ah, então deixa-me recapitular: tens vivido uma
vida em estado dormente, sobrevivido dia a dia sem paz, sem segurança, sem a
liberdade de escolheres porque sentes que não tens escolhas. E, no passado viveste
da mesma forma. E, se continuares a viver dessa forma, vais perder o que é mais
importante a tua vida, a tua possibilidade de viver. Mas, ao acreditares que és
suficiente tal como és, que és merecedora de amor, sentes que ganharás vida, liberdade,
segurança, e que não tens nada a perder. Viste um futuro tão bom do qual não querias
sequer sair, certo?
- Sim. Certo. É isso mesmo. É isso.
- Então, o Aladino concedeu-te esse desejo. Tu
acreditas que és suficiente tal como és, que és merecedora de amor. Tu agora
acreditas. Acreditas porque sabes que vai trazer-te paz, liberdade, segurança,
vida!!! Certo?
- Sim. Certo. É isso mesmo.
- Então diz-me Deborah: há alguma coisa que tens de
fazer para dares realmente uso a essa nova crença?
- Eu… Sim…
- E o que é, Deborah?
- Falar com a minha mãe… Tenho de falar com a minha
mãe.
- Porque é que isso é importante para ti, Deborah?
- Porque tudo começou nela, e tem de acabar nela.
Tenho de dizer-lhe que mesmo não sendo a filha perfeita que ela sempre quis, eu
a amo. E, tenho muitas saudades dela. E, que entendo, mas, que não poderei
continuar a correr atrás de uma imagem que não me permite viver a minha vida.
- E, quando? Quando vais falar com a tua mãe?
- Eu queria ir a Portugal, mas não posso agora.
Queria falar com ela pessoalmente, mas… Eu vou ligar para a minha mãe. Vou falar
com ela hoje.
- Tudo bem. E como vais celebrar isso?
- Celebrar como assim?
- Celebrares o início da tua nova vida, Deborah. A vida
em que acreditas que és suficiente tal como és e que és merecedora de amor. A
vida em que tu estás a viver a tua vida.
- Ah… Não sei. Celebrar…
- E, se soubesses?
- Se eu soubesse? Se eu soubesse provavelmente
ligava ao Pablo e convidava-o para jantar. – Deborah, sorriu ligeiramente
envergonhada com a constatação de que gostaria de celebrar com Pablo.
- Qual o teu nível de compromisso?
- Como assim.
- De 0 a 10, qual o teu nível de compromisso com
essa ação que tu definiste. Para ligares para a tua mãe.
- É 1000. Vou ligar para a minha mãe ainda hoje,
faça sol ou faça chuva. Eu vou ligar.
- Porque é que não vais voltar a acreditar que não
és suficiente ou merecedora de amor, que tens de ser perfeita?
- Porquê? Porque isso não é viver. Está na hora de
viver a minha vida. Está na hora de eu deixar de me esconder com medo de tudo. Há
muito tempo que eu parei de viver. Mesmo, quando eu saí de Portugal, eu pensei
que ia viver uma nova vida. Mas, na realidade apenas escondi-me. Criei um
avatar, uma persona que não sou eu. Criei uma vida de fantasia, mas nem essa
vida eu viva de verdade. Ando a empurrar com a barriga. Já criei muitas
realidades de empréstimo. Chega. Nem mais um minuto. A vida custa de qualquer
maneira, certo? Então que custe a vida que eu quero. Não a vida que eu pensei
que os outros queriam para mim. Nem quando fugi eu consegui libertar-me. Parei.
Parei no tempo. Saí do país, mas não saí de mim. Não posso fugir de mim. Não
eram os outros o meu maior problema. Era eu. E eu fugi, mas trouxe esse
problema comigo. Não me posso dissociar de mim… Posso aprender, sim, a
aceitar-me como sou, eu é que tenho de acreditar que eu sou suficiente tal como
sou. E, eu sou. Eu sou suficiente. E, está na hora de eu apresentar-me às pessoas
como sou. Como pode alguém aceitar-me como sou, se eu apenas apresento uma
versão adaptada de mim? – Deborah, desabafou entre soluções e sorrisos, num
misto de emoções que não conseguia compreender. – Desculpe, entrei em monólogo.
- Eu estou aqui para te ouvir, Deborah. Fico feliz
que tenhas decidido acreditar que és suficiente tal como és.
- Eu sou. Obrigada, obrigada se não fosses tu…
- Nada disso. Eu só estou aqui para te servir. Para
te facilitar um processo, guiar-te. As respostas são todas tuas, tu é que
tomaste as tuas decisões.
- Obrigada. – Deborah, sorriu. – Muito obrigada.
- Vamos terminar a sessão com uma meditaçãozinha,
como temos por hábito?
- Sim, claro. Vamos a isso.
Deborah, terminou a sessão, desligou o zoom e
decidiu tomar um duche rápido. Sentia-se muito leve. Após o duche pegou no
telemóvel e digitou o número que ainda sabia de cor…
- Mãezinha…
- Deborah, minha filha! – A mãe começou a chorar
imediatamente do outro lado da linha…
- Mãezinha… Perdoa-me. Eu amo-te muito. Eu sei que eu
não sou a filha que sonhaste, mas eu amo-te muito mãezinha. Amo-te muito.
- Minha filha… Estás viva! Deborah! Eu amo-te. Eu é
que te peço perdão por ter-te feito pensar que não eras suficiente… Eu amo-te.
Estás bem. Vem para casa. Pedro, a Deborah… A Deborah, está ao telefone! Pedro!
– A mãe gritava e chorava ao mesmo tempo…
- Em breve, mãezinha. Eu amo-te muito… Eu amo-te
muito…
Nessa noite, Deborah, dormiu a sentir-se outra
mulher. Tinha perdido muito tempo da sua vida, e isso não voltaria a acontecer.
Ficou no passado. Estava na hora de ser a Deborah que nasceu para ser.
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