Capítulo 2 - Até que a Morte nos Separe
Capítulo 2 – Até que a Morte nos Separe
Voltou a fechar os olhos e deixou-se
estar. Não tinha necessidade de se levantar, não tinha nada para fazer… Hoje,
pela primeira vez em 10 anos, não tinha de se preocupar com o que o Armando
queria, em fazer o pequeno-almoço, ou preparar a roupa do trabalho, ou fosse o
que fosse que ele precisasse antes de ir para o trabalho.
Realmente, ao que a sua existência se
tinha resumido: agradar ao Armando. Ser a mulher perfeita era um trabalho a
tempo inteiro. O cuidado para que nada lhe faltasse, a atenção às palavras que
dizia, a casa que tinha de manter a brilhar e com tudo meticulosamente no lugar…
No início fazia por amor, achava que isto o faria feliz. Tinha sido educada desta
maneira… E, quando ele sugeriu que ela não precisava de trabalhar, que ele
tinha condições de cuidar dela, de trazer o sustento, apesar de reticente
concordou. Na altura tinha sido um Armando diferente que fez o pedido. Lembrava-se
como se tivesse sido ontem. Na altura ela estava à procura de emprego.
- Não encontro nada… Já fui a várias
entrevistas amor e nada. Tenho a sensação de que fui para a faculdade perder
tempo, marcar o passo.
- O mundo de trabalho é muito competitivo,
meu doce. Mas, sabes? Tu és uma mulher sortuda e privilegiada, sabes porquê?
- Sortuda e privilegiada por não
encontrar trabalho? Não me parece… Sinto-me uma inútil.
- Sortuda e privilegiada por teres
um homem com H grande. Um homem capaz de cuidar de ti e, que até prefere assim.
Não sou como esses homens de agora, meu doce. Por mim, ficas em casa e eu cuido
de ti. Já fui promovido mais uma vez e, sabes bem que o meu lugar é na direção.
Em breve irei lá chegar. Tu não precisas de trabalhar. A minha rainha não
precisa de trabalhar. – Sorriu.
- Isso não parece vida para mim, meu
amor. O que ficaria eu a fazer em casa enquanto tu estás a trabalhar? Como ocuparia
o meu tempo? Como compraria as minhas coisas? Ter a minha independência?
- Estás a falar como se fosse pecado
ser cuidada pelo marido. Essa história da mulher sair de casa para trabalhar
foi inventada por uma mulher que não tinha um marido como eu. Uma infeliz, isso
sim. Por mim, ficas em casa.
- Ai, sim? Uma mulher que não tinha
um marido como tu? Diz-me lá como é o meu marido para eu perceber… - beijou-o
delicadamente – Será que eu sou a mulher mais feliz do mundo? E, o que ficaria a
fazer em casa?
- Tens dúvidas? Claro que és a
mulher mais feliz do mundo. Estás comigo, com o homem que vai conquistar o
mundo! Ficas aqui a cuidar de mim, meu doce. Agora não parece muito complicado,
mas digo-te quando tivermos o nosso palácio com 10 quartos, piscina, um anexo,
um campo de ténis… Vais ter muito de
que te ocupar, a tornar o nosso palácio o mais vistoso do mundo.
- Um palácio, é isso? Não precisamos
de um palácio, meu amor. Eu contento-me com este apartamento.
- Rei que é rei, tem um palácio. E,
acredita que em breve terás um. E, tu serás a rainha.
- A rainha ou a governanta? Mais
parece-me… - disse em tom de brincadeira.
- Gestora! Gestora do nosso palácio.
Eu vou estar muito ocupado a garantir que nada te falte, no mínimo parece-me
justo que o nosso palácio seja gerido pela melhor decoradora de interiores do
mundo.
- Da forma como tu falas parece-me
que nem vou ter mãos a medir para esse palácio. – Deu uma pequena gargalhada.
- Não tenhas dúvidas, meu doce, minha
rainha. Não tenhas dúvidas.
Nesse dia, selaram o trato com um
beijo. Armando, levou-a para o quarto, deitou-a na cama, apagou as luzes, e despiu-a
devagarinho. Pediu que se deixasse estar quietinha, que era assim que ele
gostava. Subiu para cima dela, como costume, fez o que tinha a fazer, atingiu o
clímax e deu-lhe um beijo na testa. Levantou-se, sem acender a luz, e foi para a
casa de banho. Ela ficou na cama, feliz por ter satisfeito o marido, e a pensar
que cuidar da casa e cuidar dele não seria mau de todo.
E, assim, Deborah tornou-se aquilo a
que se chama de dona de casa. A sua preocupação era que não faltasse nada ao
Armando e que a casa estivesse sempre em condições. Até porque ele gostava de
trazer os colegas de trabalho regularmente para almoços e jantaradas e, Deborah,
obviamente tinha de cuidar de tudo. Contudo, não se podia queixar visto que Armando
havia cumprido a sua palavra: tinha conseguido comprar o seu palácio. E, ela
com muito orgulho fazia questão de cumprir com a parte dela.
Levantou-se a custo da cama, com a
intenção de apagar a memória. Como podia ter sido tão ingénua? Os sinais
estavam todos lá, mas ela nunca tinha reparado. O que hoje chama de sinais, na
altura eram provas de amor. Desta vez tomou um duche de água morna e saiu rapidamente
da banheira. Uma vez mais, não se olhou ao espelho. Não queria ver aquela imagem
assustadora.
Abriu a mala e procurou algo para
vestir. Tudo o que tinha a lembrava do Armando, de uma situação em particular,
até porque a dada altura ele havia começado a “opinar”, ou melhor, a “sugerir”
que tipo de roupa a sua rainha devia vestir. Colocou um vestido cinzento que na
altura lhe acentuava as curvas, mas que agora parecia um saco de pão
amarrotado.
Sentiu uma tontura e percebeu que se
não comesse alguma coisa, em breve desfaleceria. Por mais que não tivesse
apetite precisava de forças para pensar, para começar uma nova vida. Onde ia
morar? Onde iria arranjar trabalho, e como? Não tinha amigos, não tinha
experiência… Sentiu um nó no estomago ao lembrar-se dos pais. Nem fazia ideia
de como ia encarar a mãe com esta novidade. A mãe adorava o Armando e estava
sempre a defendê-lo. De certeza que iria ficar do lado dele… Não tinha mesmo
para onde ir… Caramba.
Saiu do quarto do hotel e desceu o
elevador. Dirigiu-se à sala do pequeno-almoço e tentou beliscar algumas coisas.
Forçou um sumo de laranja e trincou uma maçã. Mordeu um pouco de pão e levou
uma garfada de ovos mexidos à boca. Não conseguia mesmo comer mais nada.
Levantou-se e voltou para o quarto.
Para ela já tinha sido uma vitória, estava há muitos dias sem comer e aquele
bocadinho já tinha ajudado. Abriu a porta do quarto de hotel e percebeu que
estava alguém lá dentro. Assustou-se, e quando percebeu quem era levou a mão à
boca.
- Pensavas que conseguias fugir de
mim? É isso? Quem é que tu pensas que és?
- Armando… - Deborah, agarrou-se à
porta e virou-se para tentar fugir.
- Anda cá, minha cadela. – Armando deu
dois passos até ela, levou-lhe imediatamente a mão à boca para abafar o grito,
agarrou-a com a outra mão pela cintura e apertou-a contra ele. – Se gritares,
vai ser muito pior para ti.
Fechou a porta do quarto, enquanto a
dominava, e arrastou-a até à cama. Apertou a mão dele contra a boca dela.
-
Tu achas que podes fugir de mim? Vens para uma espelunca e ainda por cima pagas
com o meu cartão? Tu queres sair da minha vida? Aquilo que eu te dei não foi
suficiente? Durante tantos anos nunca te incomodou a vida de rainha que eu te
dei?
Falava
agressivamente entre dentes junto ao ouvido de Deborah. Com uma mão, levantou-lhe
o vestido, e rasgou-lhe as cuecas. Abriu o fecho das calças e libertou o seu
membro hirto. Penetrou-a a seco, vezes e vezes sem conta. Atingiu o clímax e deu-lhe
um beijo na testa.
-Até
que a morte nos separe, Deborah. Até que a morte nos separe. – disse ao olhar
para os olhos baços cheios de lágrimas de Deborah. Levantou-se e foi tomar
banho a assobiar.
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